As Festas que a República manda guardar

Autores

  • Lúcia Maria Lippi Oliveira

Resumo

Este artigo examina as características que distinguem, no Brasil, a República do Império. Ele trata do processo de ruptura de uma tradição e de construção de um novo universo simbólico capaz de legitimar a nova nação republicana. As revoluções políticas, ao lidarem com a organização de uma nova vida social e política, devem ocupar-se também da construção de um imaginário capaz de reestabelecer um equilíbrio perdido com o tempo. Isto porque, em momentos de início de uma nova era, faz-se necessário evocar tempos remotos, onde possam ser encontradas raízes ¿ o verdadeiro significado do homem e da sociedade. É essa a marca das revoluções, que se fazem com um pé no futuro e o outro no passado, ainda que se apresentem de diversas formas. Datas, heróis, monumentos, músicas e folclore caminham juntos na construção da memória nacional e, se esta for consistente, dão um importante reforço à coesão social. No momento da construção da República brasileira, monarquistas e republicanos disputavam a primazia na formulação de um projeto para o país, e é nesse contexto que a autora sugere a hipótese de que o novo universo simbólico era incapaz de conferir legitimidade à nação republicana. Por outro lado, os monarquistas, ainda que não fortes o bastante para restituir a monarquia, tinham força suficiente para garantir a supremacia da sua interpretação a respeito do Brasil.

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Publicado

1989-12-01

Edição

Seção

Artigos