Morte e vida do Nordeste indígena: a emergência étnica como fenômeno histórico regional.

Autores

  • José Maurício Andion Arruti

Resumo

O artigo tem por objetivo responder à pergunta sobre como foi possível que grupos indígenas oficialmente extintos desde a segunda metade do século passado "emergissem" como entidades étnicas e sujeitos políticos novos a partir da década de 1940, num processo que se desdobra até os dias atuais. Para isso, nos propomos uma análise que tenta compatibilizar as abordagens histórica e antropológica, dirigindo-as sobre o recorte regional do Nordeste indígena brasileiro, tendo como noções centrais as de "rede de relações", "mediadores" e "invenção cultural". Trata-se de uma contribuição às análises, por um lado, dos fenômenos de "emergências étnicas" e, por outro, dos efeitos sociais das políticas públicas, em especial a indigenista, como contrafaces paradoxais da produção de "comunidades imaginadas". Numa primeira parte nos dedicamos a retraçar aqueles que teriam sido os "caminhos da extinção" daqueles grupos, decorrentes de sucessivas estratégias coloniais de conquista, assim como os "caminhos de emergência" que eles percorrem através de suas novas redes e relações. Por último destacamos aqueles que seriam os elementos fundamentais na caracterização da emergência para seus próprios atores, isto é, para os grupos indígenas, destacando para tanto a "situação pankararu".

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Publicado

1995-07-01