Mulheres jovens, “teto de vidro” e estratégias para o enfrentamento das paredes de cristal

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Luisa de Moraes Beltramini
Vanessa Martines Cepellos
Jussara Jéssica Pereira

Resumo

Apesar de as desigualdades conhecidas como “teto de vidro” não serem um fenômeno recente na sociedade, as pesquisas abordando seus efeitos ainda o são. Estudos apontam que o interesse dos cientistas por esse tipo de desigualdade ganhou evidência a partir da década de 1990. Embora estejam em ascensão investigações sobre mulheres maduras nas organizações e entraves dos efeitos “teto de vidro”, ainda existe uma lacuna teórica sobre os obstáculos enfrentados por mulheres jovens, com idades entre 21 e 30 anos. A partir de uma pesquisa qualitativa, realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com esse público, mostramos que os efeitos “teto de vidro” e "parede de cristal" podem ser sentidos ainda no início da carreira. As barreiras profissionais, como a falta de experiência, intensificam as desigualdades de gênero e discriminação por idade nos processos seletivos de estágio ou efetivação. Concluímos que as jovens adotam estratégias de credibilidade para lidar com essas dificuldades.

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Como Citar
DE MORAES BELTRAMINI, L. .; MARTINES CEPELLOS, V. .; PEREIRA, J. J. . Mulheres jovens, “teto de vidro” e estratégias para o enfrentamento das paredes de cristal. RAE-Revista de Administração de Empresas, [S. l.], v. 62, n. 6, 2022. DOI: 10.1590/S0034-759020220608. Disponível em: https://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rae/article/view/88354. Acesso em: 27 nov. 2022.
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Artigos

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