Decisões corporativas em grupo: Uma abordagem comportamental

Autores

  • Lucas Ayres Barreira De Campos Barros

DOI:

https://doi.org/10.1590/S0034-759020180606

Resumo

É comum que decisões organizacionais importantes sejam tomadas em grupo. Nas instituições financeiras, não raro, as concessões de crédito são decididas em comitês. Na esfera governamental, decisões fundamentais, tais como a definição da taxa de juros básica da economia, também são tomadas em colegiado. Nas grandes empresas privadas, o conselho de administração (CA) está no topo da hierarquia organizacional e tem a palavra final sobre estratégias de investimento, financiamento e fusões e aquisições. Todavia, as peculiaridades do processo decisório grupal são largamente ignoradas na literatura de finanças, efetivamente tratando-se o coletivo como se fosse um indivíduo. Por exemplo, as pesquisas no campo de finanças corporativas comportamentais enfatizam os processos cognitivos e vieses do decisor individual e dão pouca atenção a como esses processos interagem para produzir a decisão do grupo (para uma revisão dessa literatura, vide Baker & Wurgler, 2013). Neste ensaio, apresento, de maneira concisa e seletiva, o estado atual da discussão multidisciplinar emergente sobre o processo decisório em pequenos grupos, com ênfase em seus aspectos comportamentais. Primeiramente, abordo as vantagens e dificuldades da decisão em grupo em comparação com a decisão individual. Em seguida, apresento contribuições recentes que mostram como a qualidade da decisão do grupo depende do contexto e como pequenas alterações do ambiente decisório podem ter consequências relevantes.

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Publicado

2018-11-14

Como Citar

BARROS, L. A. B. D. C. Decisões corporativas em grupo: Uma abordagem comportamental. RAE-Revista de Administração de Empresas, [S. l.], v. 58, n. 6, p. 576–580, 2018. DOI: 10.1590/S0034-759020180606. Disponível em: https://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rae/article/view/77593. Acesso em: 17 set. 2021.