A cultura de belezas americanas: gestão de pessoas, discurso e sujeito

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Fabio Bittencourt Meira
Monica Birchler Vanzella Meira

Resumo

O discurso organizacional parece incapaz de induzir comportamentos alinhados com as exigências e necessidades da empresa. A literatura sobre gestão de pessoas aponta essa dissociação entre discurso e prática como um paradoxo. Este artigo propõe ir além, ao considerar que ele é, na verdade, signo de uma contradição constitutiva do campo a partir da qual as ações gerenciais são produzidas. A não coincidência entre discurso e prática é a regra que propicia a regeneração e reiteração incessante do que é comunicado. Técnicas renovadas de treinamento mostram que a integração dos indivíduos é vista como um problema de aprendizagem, dependente do ensino de modos de sentir e perceber suas sensações e experiências, o que vai muito além da fronteira do discurso, apontando outros limites e antagonistas. Espera-se que os indivíduos sejam sujeitos de sua própria sujeição. Nessa perspectiva, a operação e o problema da gestão de pessoas residem na necessidade de produzir simultaneamente a completa sujeição e o sujeito pleno. Os referenciais teóricos do discurso organizacional e da teoria linguística fundamentam a crítica às práticas inovadoras de gestão de pessoas. Um dos personagens do filme Beleza americana ajuda a reordenar a reflexão anterior, propiciando a retomada do problema segundo a nova chave, com a passagem do discurso ao sujeito.

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Como Citar
Meira, F. B., & Meira, M. B. V. (2014). A cultura de belezas americanas: gestão de pessoas, discurso e sujeito. Cadernos EBAPE.BR, 12(1), 163 a 177. Recuperado de https://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/cadernosebape/article/view/9617
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Fabio Bittencourt Meira, Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Professor Adjunto da Escola de Administração UFRGS. Graduado em Filosofia (FFLCH/USP). Especialização em Economia de Empresas (EAESP/FGV). Mestrado e Doutorado em Administração (EAESP/FGV). Leciona e Pesquisa da área de Estudos Organizacionais, com ênfase em formas alternativas de organização e gestão, ética e responsabilidade social, ideologia gerencial.

Monica Birchler Vanzella Meira, PUC-SP

Pesquisadora do Núcleo de Estudos da Complexidade da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Mestre em Administração e Doutora em Antropologia pela PUC-SP.

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