“Trabalho sujo”, significado, sentido e identidade: proposição de análise integrada e perspectivas de pesquisas

Conteúdo do artigo principal

Jefferson Rodrigues Pereira
Kely César Martins de Paiva
Hélio Arthur Reis Irigaray

Resumo

O presente estudo foi desenvolvido com o objetivo de refletir sobre as possíveis relações entre significado, sentido e identidade do trabalho, considerando as ambiguidades e paradoxos que permeiam certas ocupações na sociedade brasileira. Para tal, foi desenvolvido um ensaio teórico considerando perspectivas acerca do “trabalho sujo”, significados e sentidos do trabalho e identidade(s). A abordagem analítica adotada permitiu identificar que a marginalização de determinadas ocupações em vez de outras possui em seu cerne aspectos muito mais complexos do que a natureza do trabalho per si. Compreender, portanto, esse fenômeno requer esforços mais robustos e mais aprofundados relativamente aos até então apresentados na literatura de identidade, significados e sentidos do trabalho e “trabalho sujo”. A tese em foco é de que há algo mais sobre ocupações com baixo prestígio e altos níveis de sujidade, que afeta negativamente o bem-estar dos trabalhadores, do que simplesmente o estigma e as manchas impressas sobre os “trabalhadores sujos”.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Detalhes do artigo

Como Citar
Pereira, J. R., Paiva, K. C. M. de, & Irigaray, H. A. R. (2021). “Trabalho sujo”, significado, sentido e identidade: proposição de análise integrada e perspectivas de pesquisas. Cadernos EBAPE.BR, 19(4), 829–841. https://doi.org/10.1590/1679-395120210167
Seção
Apresentação

Referências

Adams, J. (2012). Cleaning up the dirty work: Professionalization and the management of stigma in the cosmetic surgery and tattoo industries. Deviant Behavior, 33(3), 149-167. Recuperado de https://doi.org/10.1080/01639625.2010.548297

Alvesson, M., & Willmott, H. (2002). Identity regulation as organizational control: producing the appropriate individual. Journal of Management Studies, 39(5), 619-644. Recuperado de https://doi.org/10.1111/1467-6486.00305

Ardichvili, A., & Kuchinke, K. P. (2009). International perspectives on the meanings of work and working, current research and theory. Advances in Develeping Human Resources, 11(2), 155-167. Recuperado de https://doi.org/10.1177/1523422309333494

Ashforth, B. E., & Kreiner, G. E. (1999). ‘How can you do it?’ Dirty work and the challenge of constructing a positive identity. The Academy of Management Review, 24(3), 413-434. Recuperado de https://doi.org/10.2307/259134

Ashforth, B. E., Kreiner, G. E., Clark, M. A., & Fugate, M. (2017). Congruence work in stigmatized occupations: A managerial lens on employee fit with dirty work. Journal of Organizational Behavior, 38(8), 1260-1279. Recuperado de https://doi.org/10.1002/job.2201

Baran, B. E., Rogelberg, S. G., & Clausen, T. (2016). Routinized killing of animals: Going beyond dirty work and prestige to understand the well-being of slaughterhouse workers. Organization, 23(3), 351-369. Recuperado de https://doi.org/10.1177/1350508416629456

Barros, V. A., & Silva, L. R. (2004). Trabalho e cotidiano no Instituto Médico Legal de Belo Horizonte. Psicologia em Revista, 10(16), 318-333.

Bauman, Z. (2001). Modernidade líquida. Rio de Janeiro, RJ: Zahar.

Bauman, Z. (2005). Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Rio de Janeiro, RJ: Zahar.

Bendassolli, P. F., & Falcão, J. R. (2013). Psicologia social do trabalho sujo: revendo conceitos e pensando em possibilidades teóricas para a agenda da psicologia nos contextos de trabalho. Universitas Psychologica, 12(4), 1153-1166. Recuperado de https://doi.org/10.11144/Javeriana.UPSY12-4.psts

Berger, P. L., & Luckmann, T. (2002). A construção social da realidade. Rio de Janeiro, RJ: Vozes.

Bispo, D. D. A., Dourado, D. C. P., & Amorim, M. F. D. C. L. (2013). Possibilidades de dar sentido ao trabalho além do difundido pela lógica do Mainstream: um estudo com indivíduos que atuam no âmbito do movimento Hip Hop. Organizações & Sociedade, 20, 717-731. Recuperado de https://doi.org/10.1590/S1984-92302013000400007

Bitencourt, B. M., Gallon, S., Batista, M. K., & Piccinini, V. C. (2011). Para além do tempo de emprego: o sentido do trabalho no processo de aposentadoria. Revista de Ciências da Administração, 13(31), 30-57. Recuperado de https://doi.org/10.5007/2175-8077.2011v13n31p30

Blithe, S. J., & Wolfe, A. W. (2017). Work-life management in legal prostitution: Stigma and lockdown in Nevada’s brothels. Human relations, 70(6), 725-750. Recuperado de https://doi.org/10.1177/0018726716674262

Blumer, H. (1969). Symbolic interaction. Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall.

Borges, L. O., & Mourão L. (2013). O trabalho e as organizações: atuação a partir da psicologia. Porto Alegre, RS: Artmed.

Bosmans, K., Mousaid, S., Cuyper, N., Hardonk, S., Louckx, F., & Vanroelen, C. (2016, fevereiro). Dirty work, dirty worker? Stigmatisation and coping strategies among domestic workers. Journal of Vocational Behavior, 92, 54-67. Recuperado de https://doi.org/10.1016/j.jvb.2015.11.008

Brown, A. D. (2015, janeiro). Identities and Identity Work in Organizations. International Journal of Management Reviews, 17(1), 20-40. Recuperado de https://doi.org/10.1111/ijmr.12035

Cardoso, L. A. (2008). A centralidade da categoria trabalho: uma análise crítica do debate sociológico contemporâneo. Confluências – Revista Interdisciplinar de Sociologia e Direito, 10(1), 11-41. Recuperado de https://doi.org/10.22409/conflu10i1.p11

Carvalho, E. R. (2018). Norbert Elias and the philosophical controversy surrounding the nature of time. Time & Society, 27(2), 155-175. Recuperado de https://doi.org/10.1177/0961463X15590744

Clot, Y. (1999). La fonction psychologique du travail. Paris, France: PUF.

Clot, Y. (2008). Travail et pouvoir d’agir. Paris, France: PUF.

Clot, Y. (2010). Le travail à coeur. Paris, France: Découverte.

Coelho, E. C. (1999). As profissões imperiais: medicina, engenharia e advocacia no Rio de Janeiro, 1822-1930. Rio de Janeiro, RJ: Record.

Dejours, C. (2001). A banalização da injustiça social. Rio de Janeiro, RJ: FGV.

Driver, M. (2009). Encountering the Arugula leaf: the failure of the imaginary and its implications for research on identity in organizations. Organization, 16(4), 487-504. Recuperado de https://doi.org/10.1177/1350508409104505

Dubar, C. (2005). A socialização: construção das identidades sociais e profissionais. São Paulo, SP: Martins Fontes.

Ennes, M. A. (2013). Interacionismo simbólico: contribuições para se pensar os processos identitários. Perspectivas, 43, 63-81.

Gill, F. (1999). The meaning of work: Lessons from sociology, psychology, and political theory. The Journal of Socio-Economics, 28(6), 725-743. Recuperado de https://doi.org/10.1016/S1053-5357(99)00054-2

Goffman, E. (1963). Stigma: Notes on the Management of Spoiled Identity. New York, NY: Simon & Schuster.

Güell, P., & Yopo, M. (2016). The subjective texture of time: An exploratory and empirical approach to time perspectives in Chile. Time & Society, 25(2), 295-319. Recuperado de https://doi.org/10.1177/0961463X15577260

Hall, S. (2006). A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro, RJ: DP&A.

Haslam, A. (2004). Psychology of organizations. London, UK: Sage.

Hughes, E. C. (1958). Men and their work. Glencoe, Illinois: Free Press.

Irigaray, H. A. R., Oliveira, L. B., Barbosa, E. S., & Morin, E. M. (2019). Vínculos profissionais e sentido do trabalho: uma pesquisa com professores do ensino superior. Revista de Administração Mackenzie, 20(1), eRAMG190070. Recuperado de https://doi.org/10.1590/1678-6971/eRAMG190070

Joaquim, N. F., & Carrieri, A. P. (2018). Construção e desenvolvimento de um projeto de história oral em estudos sobre gestão. Organizações & Sociedade, 25(85), 303-319. Recuperado de https://doi.org/10.1590/1984-9250857

Kreiner, G. E., Ashforth, B. E., & Sluss, D. M. (2006). Identity dynamics in occupational dirty work: Integrating social identity and system justification perspectives. Organization science, 17(5), 619-636.

Lainez, N. (2019). Treading water: Street sex workers negotiating frantic presents and speculative futures in the Mekong Delta. Time & Society, 28(2), 804-827. Recuperado de https://doi.org/10.1177/0961463X18778473

Lemos, A. H. C., Cavazotte, F. D. S. C. N., & de Souza, D. O. S. (2017). De empregado a empresário: Mudanças no sentido do trabalho para empreendedores. Revista Pensamento Contemporâneo em Administração, 11(5), 103-115. Recuperado de http://dx.doi.org/10.12712/rpca.v11i5.836

Lhuilier, D. (2009). Travail, management et santé psychique. Connexions, 91, 85-101. Recuperado de https://doi.org/10.3917/cnx.091.0085

Lhuilier, D. (2012). A invisibilidade do trabalho real e a opacidade das relações saúde-trabalho. Trabalho & Educação, 21(1), 13-38.

Lima, M. E. A. (2003). A polêmica em torno da centralidade do trabalho na sociedade contemporânea. Destarte, 2(2), 161-194.

Löfstrand, C. H., Loftus, B., & Loader, I. (2016). Doing ‘dirty work’: Stigma and esteem in the private security industry. European journal of criminology, 13(3), 297-314. Recuperado de https://doi.org/10.1177/1477370815615624

Marra, A. V., Fonseca, J. A., & Marques, A. L. (2014) O processo de identificação organizacional ante a reforma administrativa: um estudo exploratório. Revista de Administração Mackenzie, 15(1), 49-72. Recuperado de https://doi.org/10.1590/S1678-69712014000100003

Matos, T. M., Lima, T. C. B., Paiva, L. E. B., & Ferraz, S. F. (2017). O sentido do trabalho dos garis coletores de resíduos domiciliares. Revista Gestão Organizacional, 10(3), 125-143. Recuperado de https://doi.org/10.22277/rgo.v10i3.4143

Mattos, P. L. C. L. (2011). “Os resultados desta pesquisa (qualitativa) não podem ser generalizados”: pondo os pingos nos is de tal ressalva. Cadernos EBAPE.BR, 9(esp.), 450-468. Recuperado de https://doi.org/10.1590/S1679-39512011000600002

Méda, D. (1995). Le travail – une valeur en voie de disparition. Paris, France: Aubier.

Merriam, S. B. (1998). Qualitative research and case study applications in education. Revised and expanded from “Case study research in education”. Hoboken, NJ: Jossey-Bass Publishers.

Mills, C. W. (1976). A nova classe média. Rio de Janeiro, RJ: Zahar.

Monteiro, D. F. B., Pereira, V. F., Oliveira, L. L., Lima, O. P., & Carrieri, A. P. (2017). O trabalho sujo com a morte, o estigma e a identidade no ofício de coveiro. Revista Interdisciplinar de Gestão Social, 6(1), 77-98.

Morin, E.M. (2004). The meaning of work in modern times. In Proceedings of 10th World Congress on Human Resources Management, Rio de Janeiro, RJ.

Morse, N. C., & Weiss, R. S. (1955). The function and meaning of work and the job. American Sociological Review, 20(2), 191-198. Recuperado de https://doi.org/10.2307/2088325

Offe, C. (1989). Trabalho: categoria-chave da Sociologia? Revista Brasileira de Ciências Sociais, 14(10), 6-20.

Oliveira, F. G., & Barros, V. A. (2019). O que faz um catador de materiais recicláveis? Análise do trabalho e da formação profissional das triadoras de materiais recicláveis. Revista Horizontes Interdisciplinares da Gestão, 3(2), 75-91.

Paiva, K. C., Pereira, J. R., Guimarães, L. R., Barbosa, J. K. D., & Sousa, C. V. (2020). Mulheres de vida fácil? Tempo, prazer e sofrimento no trabalho de prostitutas. Revista de Administração de Empresas, 60(3), 208-221. Recuperado de https://doi.org/10.1590/S0034-759020200304

Pereira, J. R., Paiva, K. C. M., Santos, J. V. P., & Sousa, C. (2018). “O show tem que continuar”: encalços e percalços do ser/ser uma prostituta. Contextus: Revista Contemporânea de Economia e Gestão, 16(3), 151-180. Recuperado de https://doi.org/10.19094/contextus.v16i3.32642

Pereira, J. R., Santos, J.V.P., Silva, A.G.C., Paiva, K.C.M., & Carrieri, A.P. (2020). Entre o sagrado e o profano: identidades, paradoxos e ambivalências de prostitutas evangélicas do baixo meretrício de Belo Horizonte. Cadernos EBAPE.BR, 18(2), 391-405. Recuperado de https://doi.org/10.1590/1679-395177568

Petriglieri, G., & Stein, M. (2012). The unwanted self: Projective identification in leaders’ identity work. Organization Studies, 33(9), 1217-1235. Recuperado de https://doi.org/10.1177/0170840612448158

Pimentel, T. D., & Carrieri, A. P. (2011). A espacialidade na construção da identidade. Cadernos EBAPE.BR, 9(1), 1-21. https://doi.org/10.1590/S1679-39512011000100002

Rodrigues, A. L., Barrichello, A., & Morin, E. M. (2016). Os sentidos do trabalho para profissionais de enfermagem: um estudo multimétodos. Revista de Administração de Empresas, 56(2), 192-208. Recuperado de https://doi.org/10.1590/S0034-759020160206

Sennett, R. (1998). The corrosion of character. New York, NY: Norton.

Silva, A. L., & Freitas, M. E. (2016). Para além dos critérios econômicos do trabalho de baixa renda no brasil. Organizações & Sociedade, 23(76), 37-56.

Silveira, R. A., & Medeiros, C. R. O. (2016). O herói-envergonhado: tensões e contradições no cotidiano do trabalho policial. Revista Brasileira de segurança pública, 10(2), 134-153.

Souza, M. M. P., & Carrieri, A. P. (2012). Identidades, práticas discursivas e os estudos organizacionais: uma proposta teórico-metodológica. Cadernos EBAPE.BR, 10(1), 40-64. Recuperado de https://doi.org/10.1590/S1679-39512012000100005

Sveningsson, S., & Alvesson, M. (2003). Managing managerial identities: organizational fragmentation, discourse and identity struggle. Human Relations, 56(10), 1163-1193. Recuperado de https://doi.org/10.1177/00187267035610001

Teixeira, J. C., Saraiva, L. A. S., & Carrieri, A. P. (2015). Os lugares das empregadas domésticas. Organizações & Sociedade, 22(72), 161-178. Recuperado de https://doi.org/10.1590/1984-9230728

Tolfo, S. R., & Piccinini, V. (2007). Sentidos e significados do trabalho: explorando conceitos, variáveis e estudos empíricos brasileiros. Psicologia e Sociedade, 19(esp.), 28-46. Recuperado de https://doi.org/10.1590/S0102-71822007000400007

Treiman, D. (1977). Occupational Prestige in Comparative Perspective. New York, NY: Academic Press.

Valtorta, R. R., Baldissarri, C., Andrighetto, L., & Volpato, C. (2019). Dirty jobs and dehumanization of workers. British Journal of Social Psychology, 58(4), 955-970. Recuperado de https://doi.org/10.1111/bjso.12315

Vecchi, B. (2005). Introdução. In Z. Bauman (Org.), Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Rio de Janeiro, RJ: Zahar.

Woodward, K. (2000). Identidade e diferença: uma construção teórica e conceitual. In T. T. Silva (Org.), Identidade e Diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis, RJ: Vozes.

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)

1 2 3 4 > >>