Fatores que influenciam a alocação da atenção do conselho de administração aos riscos corporativos e suas implicações
Abstract
O suporte da alta administração é tratado como fator determinante do desenvolvimento da gestão de riscos das organizações. Através do estudo de casos de 4 (quatro) companhias, em diferentes estágios de maturidade na gestão integrada de riscos (GRC), observamos que, em empresas nas quais as estruturas de governança e GRC estão pouco desenvolvidos, as influências externas e as preferências pessoais tendem a direcionar os riscos que merecerão a atenção do conselho de administração. À medida que a empresa aprimora seus fluxos de comunicação e suas estruturas e processos organizacionais, os riscos que recebem a atenção dos conselheiros passam a ser condicionados pelas dinâmicas de comunicação entre o Comitê de Auditoria ou de Riscos, o Conselho de Administração e a área de GRC. Este estudo sugere haver uma relação biunívoca entre a estrutura organizacional e a atenção aos riscos por parte dos conselheiros. Se, por um lado, as ações dos conselheiros influenciam como são distribuídos os papéis e estabelecidos as estruturas e processos organizacionais bem como os fluxos de informação da organização, por outro, estes mesmos papeis, fluxos de comunicação e estruturas/processos determinam quais assuntos, questões e respostas são direcionados para à atenção do Conselho. A compreensão desta relação de mão dupla contrasta com a maioria das bibliografias sobre governança de riscos que atribuem à atuação do Conselho de Administração e ao tone at the top, a responsabilidade final sobre a forma como os riscos são gerenciados nas empresas. Os fluxos de comunicação parecem ter uma importância substancialmente maior que a sugerida pelos modelos de GRC e os estudos publicados sobre o tema. Da mesma forma, os mecanismos externos de governança parecem ter papel determinante para o desenvolvimento do GRC, na medida que a maioria das empresas estudadas implantaram ou aperfeiçoaram as áreas de gestão de riscos e o compliance após a entrada em vigor das normas do segmento Novo Mercado da B3. The support of senior management is treated as a determining factor in the development of risk management in organizations. Through the case study of 4 (four) companies, at different stages of maturity in Enterprise Risk Management (ERM), we observed that, in companies in which governance structures and ERM are poorly developed, external influences and personal preferences tend to direct the risks that will deserve the attention of the board of directors. As the company improves its communication flows and its organizational structures and processes, the risks that receive the attention of directors become conditioned by the communication dynamics between the Audit or Risk Committee, the Board of Directors and the area of ERM This study suggests that there is a two-way relationship between organizational structure and board members' attention to risks. If, on the one hand, the actions of directors influence how roles are distributed and organizational structures and processes are established, as well as the organization's information flows, on the other, these same roles, communication flows and structures/processes determine which issues, questions and answers are directed to the attention of the board. Understanding this two-way relationship contrasts with most literature on risk governance that assigns the role of the Board of Directors and the “tone at the top”, the ultimate responsibility for how risks are managed in companies. Communication flows seem to have a substantially greater importance than suggested by the ERM models and academic publications on the subject. Likewise, external governance mechanisms seem to have a decisive role in the development of the ERM, as most of the companies studied implemented or improved the areas of risk management and compliance after the entry into force of the Novo Mercado segment rules of B3.
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