Prevalência da migrânea em uma empresa brasileira e seu impacto na produtividade: um estudo descritivo transversal
Abstract
Objetivo: Determinar a prevalência de migrânea episódica e crônica e o impacto dessa enfermidade nos indicadores de produtividade. Método: Estudo descritivo transversal. Local: Empresa de serviços de Brasília (Distrito Federal, Brasil). Material: Um total de 831 funcionários foram analisados. Medidas: Após a triagem inicial, 48 funcionários foram identificados com migrânea e responderam as versões brasileiras de questionários, como Avaliação de Incapacidade de Migrânea (MIDAS), Produtividade no Trabalho e Diminuição da Atividade (WPAIMigrânea), Inventário de Depressão de Beck (BDI), Inventário de Ansiedade de Beck (BAI) Análise: Foi realizada uma análise descritiva dos casos selecionados. Os dados também foram avaliados por meio do teste de independência do qui-quadrado de Pearson. Resultados: A maioria dos trabalhadores avaliados era do sexo feminino (73%) e 83% tinham menos de 50 anos. No estudo, observou-se uma prevalência de migrânea de 5,9% (48 funcionários), o que acometeu principalmente as mulheres entre 36 e 40 anos. Os sintomas (dor de cabeça) começaram, em média, a partir dos 18 anos. Trinta pacientes (63%) relataram dor recorrente em meses consecutivos e 53% relataram dor em todos os meses do ano. Em média, a cefaleia esteve presente pelo menos um dia em 9 meses consecutivos. Depressão tem uma forte correlação com migrânea crônica (p 0,024). O impacto da migrânea na produtividade dos trabalhadores foi medido por dois instrumentos (MIDAS e WPAIMIGRAINE). O custo mensal do absenteísmo por migrânea varia de R$ 220,00 a R$ 476,00. Por outro lado, o impacto da migrânea no presenteísmo varia de R$ 476,00 a R$ 600,00. Conclusão: No estudo, observou-se uma prevalência de migrânea de 5,9% com impacto relevante na saúde e no bem-estar. O impacto econômico da migrânea é notável e demonstra a importância dessa condição, que possui um quadro diagnóstico simples e diversos tratamentos disponíveis. Purpose: To determine the prevalence of episodic and chronic migraine and the impact of this disorder on productivity indicators. Design: Cross-sectional descriptive study. Setting: A service-based company from Brasília (Federal District, Brazil). Subjects: A total of 831 employees was analyzed. Measures: After the initial screening, 48 employees were identified with migraine and answered Brazilian versions of questionnaires as Migraine Disability Assessment (MIDAS), Work Productivity and Activity Impairment (WPAI-Migraine), Beck Depression Inventory (BDI), Beck Anxiety Inventory (BAI). Analysis: A descriptive analysis of the selected cases was carried out. Data were also evaluated through Pearson's chi-square test of independence. Results: Most of the workers evaluated were female (73%) and 83% were under 50 years old. In our study, we observed a migraine prevalence of 5.9% (48 employees). Migraine occurred mainly in female between 36 and 40 years old. The symptoms (headache) started, on average, from 18 years old. Thirty patients (63%) reported recurrent pain in consecutive months and 53% reported pain in all months of the year. On average, headache was present at least one day in 9 consecutive months. Depression has a strong correlation with chronic migraine (p 0.024). The impact of migraine on workers productivity was measured by two instruments (MIDAS and WPAI-MIGRAINE). The monthly cost of migraine-related absenteeism varies from R$ 220.00 to R$ 476.00. On the other hand, the impact of migraine on presenteeism varies from R$ 476.00 to R$ 600.00. Conclusion: In our study, we observed a migraine prevalence of 5.9% with a relevant impact on health and wellbeing. The economic impact of the migraine is remarkable and demonstrates the importance of this condition, which has a simple diagnosis framework and several treatments available.


