O estresse pode impactar o aprendizado organizacional? Estudo de caso em uma consultoria de tecnologia da informação
Resumo
O dia a dia dos trabalhadores atualmente está cada vez mais atribulado. A pressão do mundo corporativo torna sua vida cada vez mais desgastante, aumentando a possibilidade de doenças físicas e mentais. As corporações vivem em um ritmo frenético de transformação digital, logo sair na frente dos concorrentes é uma obrigação para as empresas e seus colaboradores. O estresse é resultante desse estilo de vida caótico e um dos fatores que mais vem preocupando as corporações. Esse mal é responsável por minar a concentração e o processo de aprendizagem contínua de um profissional, assim como iniciar diversas outras enfermidades, tanto físicas quanto mentais: o prejuízo para funcionário e empresas é notável. Sob essas circunstâncias, torna-se essencial compreender se existem fatores que diminuem o processo de absorção de conhecimento em um ambiente onde transformação digital e aprendizado constante são seus pilares. A relevância é evidente quando percebemos os impactos negativos que consultores com estresse trazem para as organizações. Este estudo tem como objetivo analisar se existe associação entre estresse e aprendizado organizacional. Parte-se da hipótese de que há relação negativa entre esses conceitos. Para tal, realizou-se, a partir de referencial teórico sobre estresse e aprendizado organizacional, um estudo de caso exploratório em uma consultoria de software nacional de enorme reconhecimento. Utilizou-se análise qualitativa a partir de entrevistas em profundidade com três consultores dessa organização, realizadas entre setembro e dezembro de 2020, seguida de análise quantitativa, a aplicação de um questionário online tipo survey com 77 consultores dessa organização entre os dias 10 de fevereiro de 2021 a 19 de março de 2021. O questionário foi dividido em três partes com o objetivo de avaliar (i) o nível de estresse percebido, (ii) o aprendizado organizacional, e (iii) o perfil socioeconômico do consultor. A análise dos dados incluiu para a etapa qualitativa análise de conteúdo e associação, e para a etapa quantitativa regressão linear múltipla. Variáveis de controle foram utilizadas para avaliar os diferentes efeitos dessa associação. Como resultados pôde-se observar que o estresse diminui o aprendizado organizacional nos tipos “funcionário” e “administração”, apesar de o poder de explicação ser notadamente baixo. Podemos destacar as variáveis de controle Estado civil com o resultado “outros” e Raça/Cor com resultado “branco”, com alguns poucos fatores de diferenciação. As implicações gerenciais apontam para que problemas com funcionários estressados, uma vez que trazem prejuízos a organização ao mesmo não entregam valor, trazem problemas na organização uma vez que o estresse impacta o aprendizado organizacional. Isso representa um potencial grande impacto na consultoria de software estudada, uma vez que a mesma tem como um de seus valores principais o capital intelectual de seus colaboradores. Com isso é preciso uma maior atenção no bem-estar do colaborador a fim de mitigar e minimizar as causas do estresse. Os gestores podem contribuir de diversas formas como dividindo a carga de trabalho entre seus colaboradores, ou criando happy hours e conversas periódicas, além de um acompanhamento e avaliação dos efeitos dessas práticas. The daily lives of workers are currently increasingly troubled. The pressure of the corporate world makes your life more and more exhausting, increasing the possibility of physical and mental illnesses. Corporations live in a frenetic pace of digital transformation, so getting ahead of competitors is a must for companies and their employees. Stress is a result of this chaotic lifestyle and one of the factors that has been most worrying for corporations. This evil is responsible for undermining a professional's concentration and continuous learning process, as well as starting several other illnesses, both physical and mental: the damage to employees and companies is remarkable. Under these circumstances, it is essential to understand if there are factors that reduce the knowledge absorption process in an environment where digital transformation and constant learning are its pillars. The relevance is evident when we realize the negative impacts that consultants with stress bring to organizations. This study aims to analyze whether there is an association between stress and organizational learning. It starts with the hypothesis that there is a negative relationship between these concepts. To this end, an exploratory case study was carried out, based on a theoretical framework on stress and organizational learning, in a highly recognized national software consultancy. Qualitative analysis was used from in-depth interviews with three consultants of this organization, carried out between September and December 2020, followed by quantitative analysis, the application of an online survey-type questionnaire with 77 consultants of this organization between February 10, 2021 to March 19, 2021. The questionnaire was divided into three parts to assess (i) the level of perceived stress, (ii) organizational learning, and (iii) the consultant's socioeconomic reality. Data analysis included content analysis and association for the qualitative stage, and multiple linear regression for the quantitative stage. Control variables were used to assess the different effects of this association. As a result, it could be observed that stress reduces organizational learning in the types "employee" and "administration", despite the explanatory power being remarkably low. We can highlight the control variables Marital status with the result “others” and Race/Color with the result “white”, with a few differentiating factors. The management implications point out that problems with stressed employees, since they harm the organization, do not deliver value, they bring problems in the organization since stress impacts organizational learning. This represents a potential great impact on the software consulting studied, since one of its main values is the intellectual capital of its collaborators. This requires greater attention to the employee's well-being in order to mitigate and minimize the causes of stress. Managers can contribute in different ways, such as dividing the workload among their employees, or creating happy hours and regular conversations, in addition to monitoring and evaluating the effects of these practices.


