As convenções de desenvolvimento no Brasil: um ensaio de economia política
Abstract
Este artigo faz parte de uma pesquisa sobre como pensamos o desenvolvimento econômico e as conseqüências dos esquemas de pensamento que adotamos em termos de políticas econômicas e, portanto, sobre as características que assume o desenvolvimento. Partindo de uma visão de economia política, o conceito de 'convenção de desenvolvimento' parece-me útil par entender como os atores sociais lidam com a incerteza inerente ao desenvolvimento, estabelecem prioridades e coordenam suas ações. Na próxima seção, explico sucintamente o conceito, sua utilização na seleção de problemas e soluções e a disputa pela hegemonia entre convenções competitivas. A terceira seção aponta as incertezas que cercam atualmente a teorização internacional do desenvolvimento, em contraste com as certezas da convenção neo-liberal dos anos noventa. A quarta seção trata do caso recente brasileiro, propondo que, a partir da incerteza vigente à posse do Presidente Lula, formaram-se duas convenções, apoiadas em forças políticas diferentes, a que chamei de 'institucionalista restrita' e 'neodesenvolvimentista'. Argumento que, na disputa pela hegemonia, a primeira, que privilegia a estabilidade de preços, é hegemônica. A última seção apresenta, resumidamente, as conclusões da análise do caso brasileiro e arrisca um olhar sobre o futuro.


