Acumulação de capacidades tecnológicas e fortalecimento da competitividade industrial no Brasil: breve análise empírica da indústria de celulose e papel

Authors

  • Paulo N. Figueiredo
  • Maurício Canêdo Pinheiro
  • Felipe Queiroz Silva
  • Rubia Cristina Wegner
  • Bernardo Pereira Cabral
  • Fernanda Steiner Perin

DOI:

https://doi.org/10.12660/tlii-wps.65105

Abstract

Este documento refere-se aos resultados da análise empírica da indústria de celulose e papel no Brasil, que integra um dos setores industriais do projeto de pesquisa intitulado “Acumulação de capacidades tecnológicas e fortalecimento da competitividade industrial no Brasil: análise empírica e recomendações práticas para políticas públicas e estratégias empresariais”, cujo objetivo é examinar como a acumulação de capacidades tecnológicas inovadoras, em nível de empresas e setores industriais, pode contribuir para fortalecer a competitividade industrial do país.
A escolha da indústria de celulose e papel justifica-se pela sua importância comercial e tecnológica na indústria brasileira. Do ponto de vista comercial, o Brasil é atualmente um dos maiores produtores de celulose e papel e o maior exportador de celulose do mundo. Do ponto de vista tecnológico, a mesma indústria tem apresentado novas oportunidades de inovação e diversificação, como, por exemplo, em energia renovável, biotecnologia e nanotecnologia.
A pesquisa contou com evidências primárias obtidas por meio de entrevistas e aplicação de questionários a diretores e gestores de empresas produtoras de celulose e papel e da realização de um workshop com vários agentes da indústria (empresários, fornecedores, consultores, pesquisadores de institutos de pesquisa e universidades e representantes de órgãos governamentais). Foram analisadas evidências qualitativas e quantitativas mediante testes estatísticos, ao longo de 2003 a 2014. A pesquisa contou com a adesão de 15 empresas de celulose e papel, que representaram, aproximadamente, 76% da produção de celulose e 50% da produção de papel no Brasil em 2014.
Foram identificadas pela pesquisa significativas diferenças entre as empresas dessa indústria no Brasil. Mais especificamente, foram encontradas diferenças não só entre as empresas, mas também dentro delas (em relação às suas áreas tecnológicas florestal e industrial). Ainda, as empresas brasileiras do ramo apresentaram níveis e padrões altos de capacidade tecnológica na área florestal, traduzido, principalmente, pelo seu avanço em tecnologias florestais de melhoramento genético e produtividade do eucalipto. No entanto, tal fato ainda não influenciou, de forma mais contundente, uma busca por novas oportunidades tecnológicas industriais e de diversificação para além da venda da commodity celulose e de novos tipos de papel.
Os resultados da pesquisa também sugerem que as diferenças entre as empresas pesquisadas em termos de acumulação de capacidades tecnológicas fizeram-se valer a partir de diversas fontes de mecanismos de aprendizagem intra e interorganizacionais. Por exemplo, empresas pertencentes a um padrão mais elevado de capacidades tecnológicas apresentaram mais do que o dobro da incidência de parcerias com universidades e institutos de pesquisa, fornecedores e consultores do que empresas de padrão menos elevado de capacidades tecnológicas. Essas parcerias envolveram interações não apenas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), como também de menor complexidade tecnológica, como assistência técnica e treinamento técnico com parceiros.
Por fim, as evidências revelam que empresas pertencentes a padrões mais elevados de capacidades tecnológicas apresentaram medidas maiores de desempenho competitivo, como produtividade do trabalho e inserção internacional. Esses resultados contribuem para a análise da relação entre inovação e crescimento econômico e inspiram recomendações práticas para os agentes da indústria de celulose e papel e para formulação de políticas públicas destinadas ao fortalecimento da competitividade no Brasil. Destaca-se, sobretudo, a necessidade de formação e fortalecimento de uma perspectiva sistêmica e colaborativa de inovação que apoie a indústria de celulose e papel, em que as empresas estabeleçam vínculos contínuos com os demais agentes do sistema. Esta é uma fonte fundamental para a evolução e sustentação de capacidades tecnológicas e seu consequente desempenho competitivo.

 

Published

05-11-2016

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