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Repositório FGV de Periódicos e Revistas

A cultura política dos trabalhadores no primeiro governo Vargas

Jorge Ferreira

Resumo


Há uma tese fortemente disseminada de que, no primeiro governo Vargas, os trabalhadores foram vítimas de idéias estrangeiras à sua prática de classe e que, seduzidos pelo paternalismo, pela manipulação e pelo populismo, eles falharam em identificar seus reais e verdadeiros interesses. O autor analisa os enunciados discursivos produzidos pelos trabalhadores da época a partir do conceito de cultura. Desse modo, ele se esforça em não confundir o apoio e o consentimento ao governo Vargas como sinais de um conformismo generalizado. Mesmo reconhecendo os ganhos materiais e simbólicos trazidos pelo governo Vargas, os trabalhadores não se mostravam passivos diante das idéias dominantes. Vivendo em um estado de extrema pobreza, as pessoas comuns ouviam o discurso oficial e reinterpretavam e reelaborabam a simbologia dominante em função de seus interesses, em consonância com suas condições imediatas de existência e seus parâmetros culturais. Na falta de melhores alternativas, os trabalhadores aceitavam os princípios doutrinários do estado varguista, sem que isso necessariamente refletisse passividade ou conformismo. Eles aceitaram esses princípios, mas recriaram contra-argumentos a partir da própria lógica do discurso dominante, a fim de progredir um contexto socio-econômico onde as oportunidades eram muito restritas.

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Revista Estudos Históricos
Uma publicação do Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais (PPHPBC) da Escola de Ciências Sociais (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas (FGV)
 

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