Improvisação: Nem jazz, nem teatro, mas metamorfose itinerária

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/S0034-759020200404

Palavras-chave:

Improvisação, circo, gestão, agenciamento, Deleuze.

Resumo

O objetivo deste artigo foi compreender como a improvisação realizada pelos artistas circenses se insere no cotidiano da gestão do circo e do espetáculo. Sob a perspectiva qualitativa de investigação aplicada na análise de multicasos, os dados foram produzidos mediante observações assistemáticas no cotidiano de 31 circos itinerantes localizados na região sudeste do Brasil e de entrevistas semiestruturadas com 116 artistas circenses, e a análise de dados foi feita por meio da análise de narrativas. As improvisações aparecem tanto na condução do espetáculo como dentro deste. Elas estão vinculadas ao poder de afetar ou não o público que assiste às peças e de preencher um vácuo na condução da performance circense, que cria condições para possíveis enredos. O espetáculo se metamorfisa, então, em várias possiblidades: encurtando, empurrando, apressando, picoteando. Agenciamentos esses que possibilitam maliciosamente a improvisação de ocorrer, desenhando outros espetáculos.

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Publicado

17-04-2020

Como Citar

CARRIERI, A. DE P.; QUARESMA, E. A.; PALHARES, J. V.; AGUIAR, A. R. C. Improvisação: Nem jazz, nem teatro, mas metamorfose itinerária. RAE-Revista de Administração de Empresas, v. 60, n. 4, p. 273-283, 17 abr. 2020.

Edição

Seção

Artigos