Associações sociotécnicas e práticas de gestão em desenvolvimento: analisando rastros por entre o traçado do P1MC

Autores

  • Jackeline Amantino de Andrade
  • José Raimundo Cordeiro Neto
  • José de Arimatéia Dias Valadão

Resumo

O objetivo deste artigo é discutir um entendimento alternativo da gestão do desenvolvimento a partir do desdobramento de práticas vinculadas às denominadas tecnologias sociais, indicando possíveis inovações para o desenvolvimento neste século. Neste sentido, são abordadas concepções de desenvolvimento e suas implicações no que diz respeito à tecnologia, criticando-se uma compreensão sobre sua neutralidade, mesmo quando se trata de tecnologias apropriadas em experiências “alternativas de desenvolvimento”, sendo salientada a teoria do ator-rede como saída conceitual da tensão paralisante entre determinismo econômico e social. Para tanto, é apresentado um estudo de caso que, ao adotar os pressupostos metodológicos da TAR – agnosticismo, simetria generalizada e livre associação- -, para analisar o desenrolar dos momentos de translação do programa Um Milhão de Cisternas Rurais, implantado na região do semiárido brasileiro, identificando-se uma trajetória tecnológica em que a criatividade cultural e morfogênese social do verdadeiro desenvolvimento, nos termos de Furtado (1974; 1982), se destacam e cujas repercussões são diferenciadas daquelas tradicionais aos projetos da gestão do desenvolvimento. Finalmente, as considerações finais destacam essas trajetórias como constituintes de gestões em desenvolvimento, fundamentadas em um caráter múltiplo que é revelado pela translação naquilo que construções sociotécnicas podem praticamente concretizar.

Publicado

28-06-2013