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Abstract:
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O ensino de Ciências da Natureza tem se mostrado
ineficaz tanto nos cursos de 1o como de 2o graus. As consequências
desta ineficiência aparecem nos resultados das
provas de Vestibu1ar e na própria Universidade.
Esta deficiência expressa-se na incapacidade do
sujeito de assimilar e operacionalizar esses conhecimentos,
portanto na ausência de instrumentos que tornem viável este
processo.
O mais grave é a passividade do aluno em "consumir"
um conhecimento do qual ele pouco ou nada compreende.
Pasividade que transferirá para outras relações, justificando
sua "justificada incapacidade".
O conhecimento é um processo social e histórico
que participa da evolução da matéria viva, onde cada indivíduo,
inserido num determinado espaço e tempo, atua como
sujeito produtor de conhecimentos.
A escola que impõe um "consumo" alienado de conceitos
que não estão de acordo com a visão de mundo, com o
estágio de pensamento do aluno é uma escola que reproduz
as relações sociais de produção, formando um sujeito alienado
que não participa do processo, a uma escola que reproduz
as relações de classes, transmitindo-as como naturais
para aqueles "justificadamente" incapazes.
Professor não é aquele que impõe conceitos, mas
sim o que respeita a visão de mundo do aluno, o estágio de
suas estruturas mentais, seu espaço e tempo para a produçao do seu conhecimento. Professor é o que dialetiza os conceitos ao invés de os impor, que acirra contradições levando o aluno a pensar com autonomia, a analisar, criticar,
criar. Que leva o aluno à ousadia da invenção.
Acreditando que a escola deve estar atenta à solução
destas dificuldades, desde as primeiras séries do 1o
grau, realizamos um trabalho com crianças de duas turmas de
la. série, durante quatro anos, reciclando professores, acompanhando
os alunos e avaliando seus trabalhos.
Os pré-testes a que foram submetidas essas crianças
revelou que, quanto às estruturas mentais, se encontravam no nível pré-operatório, sem condições de um bom desempenho na la. série do 1o grau.
Respeitamos seus conhecimentos e crenças e o estágio
de desenvolvimento mental em que se encontravam. Apoiados nas pesquisas de Jean Piaget, incentivamos o desenvolvimento
de um instrumental de pensamento que lhes permitisse transformar o realismo ingênuo de seus conhecimentos numa forma lógica compatível com a ciência atual. Procuramos
desenvolver a sua criatividade e o uso de uma linguagem
argumentativa. Dar-lhes confiança, autonomia e prazer
na produção de seus conhecimentos.
Em face das diversas variáveis com que trabalhamos
e dos resultados obtidos, concluimos que essas dificul
dades nao se restringem às áreas de ciências, embora sejam
aí mais evidentes, mas abrangem todas as áreas. Na realidade,
sem condições de análise, de crítica, de uma linguagem
argumentativa, de um pensamento autônomo capaz de produzir
conhecimentos torna-se difícil atingir resultados ideais
em qualquer escolarização. |