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Abstract:
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Inserido no contexto contemporâneo de reestruturações produtivas e reconfigurações
das relações entre capital e trabalho, o tema empreendedorismo vêm sendo valorizado
como a principal base do crescimento econômico e da geração de emprego e renda para
indivíduos, empresas e países. Considerado veículo ideal para inovar, aumentar a
produtividade e melhorar modelos de negócios, alguns autores arriscam-se a afirmar que
estamos vivendo a era do empreendedorismo (AIDAR, 2007; DORNELAS, 2008), a
substituição do homo economicus pelo homo entreprenaurus (BOAVA; MACEDO,
2009) ou testemunhando o alvorecer de um capitalismo empreendedor (SCHRAMM;
LITAN, 2008). Assumindo que a linguagem (de forma mais específica o discurso)
produz visões de mundo hegemônicas (FAIRCLOUGH, 2001), que enquadram,
moldam e constituem as relações entre os atores sociais (muitas vezes sem nem mesmo
aparentar isso para os próprios atores) esta tese tem por objetivo identificar e analisar
quais ordens de discurso emergem das convergências, divergências e silêncios entre o
discurso do empreendedorismo das empresas juniores e das revistas de negócios. De
forma a alcançar este objetivo, buscou-se: (a) identificar e analisar - por meio de
diferentes interpretações e apropriações da idéia de empreendedorismo na história do
capitalismo - o papel do empreendedor e do empreendedorismo na contemporaneidade;
(b) entender as relações entre empreendedorismo e empresas juniores e
empreendedorismo e revistas de negócios; e (c) examinar a díade linguagem e ideologia
em um contexto histórico-social por meio do discurso, em geral, e das práticas
discursivas das empresas juniores e da mídia de negócios, em particular. A coleta de
dados foi realizada por meio de entrevistas com alunos e professores participantes de
empresas juniores de seis Instituições do Ensino Superior do Rio de Janeiro e a partir de
matérias publicadas nas revistas Você S.A., Exame, Carta Capital e HSM Management
entre março de 2004 e setembro de 2010. De forma a proceder a análise dos dados, a
abordagem escolhida foi a análise crítica de discurso - critical discourse analysis – e de
forma mais específica, a perspectiva de Norman Fairclough (2001). No que diz respeito
às revistas de negócios, foram identificados 13 objetos discursivos agrupados em 5
categorias que expressam a formação discursiva empreendedorismo: espírito
empreendedor, inovação e geração de riquezas, capitalismo empreendedor, herói global
e empresarização do mundo. O mesmo procedimento foi feito a respeito das empresas
juniores, o que permitiu o reconhecimento de 23 objetos discursivos agrupados em 7
8
categorias que expressam a formação discursiva empreendedorismo: articulação
universidade-mercado, espírito empreendedor, diferenciação no mercado, aprender
fazendo, geração de riquezas, empreendedor como produto organizacional e modelos
sociais de empreendedores. Assim, como resultado, após serem analisadas as
interdiscursividades entre as formações discursivas, foram identificados três discursos
hegemônicos ou ordens de discursos, quais sejam: (1) o consenso acerca da centralidade
da empresa na constituição do pensar e do agir do indivíduo no mundo; (2) a
exemplaridade dos modelos empreendedores capitalistas neoliberais; e (3) a ausência de
alternativas viáveis ao modelo capitalista contemporâneo. O reconhecimento destas
ordens de discurso – que elegem a empresa capitalista contemporânea como único
modelo possível de geração de riqueza, de renda e de trabalho na sociedade -
permitiram problematizar possíveis desdobramentos ideológicos nas relações entre
educação, empreendedorismo e mercado de trabalho. |