Governança corporativa e o desempenho das empresas em períodos de crescimento e de crise
Abstract
Governança Corporativa tornou-se fundamental diante do cenário internacional de grandes escândalos corporativos e particularmente no Brasil em razão das crises econômica, política e ética. Entre os aspectos relevantes que mudaram o comportamento dos executivos, está a responsabilidade civil e criminal prevista em razão de eventuais fraudes cometidas pela alta administração e a necessidade de adoção de práticas de governança corporativa. O objetivo principal desta pesquisa foi demonstrar por meio de análises quantitativas e testes de hipóteses se os diferentes níveis de governança corporativa definidos pela Bovespa/B3 (Nível 1, Nível 2 e Novo Mercado) tiveram efeito no desempenho das empresas no período de 2008 a 2018, considerando o ambiente de crescimento e de crise vivenciado no Brasil. Usando os fatores período (crise e crescimento) e níveis de governança (Nível 1, Nível 2 e Novo Mercado) como variáveis preditoras, foram feitas comparações sobre as médias dos retornos, risco (definido como desvio padrão do retorno), e índice Sharpe. Calculando o índice Sharpe para análise conjunta de risco e retorno, foram encontradas interações entre os fatores período e nível de governança (p<0,0001). O índice Sharpe foi menor no segmento básico/geral para os períodos de crise (-2,68863) e de crescimento (-2,41903), quando comparado às empresas listadas no Ibovespa nos segmentos Nível 1 na crise (-2,02341) e crescimento (-2,08878), Nível 2 na crise (-2,15101) e crescimento (-2,01412) e Novo Mercado na crise (-2,32664) e crescimento (- 2,02409), sendo p<0,0001 para todas essas comparações. Na comparação sobre o retorno não houve interação (p=0,13674). Não foram identificadas diferenças estatísticas significativas para o retorno Ibovespa em relação ao nível de governança (p=0,0534) e para os períodos de crescimento e crise (p=0,63388). Na comparação do risco Ibovespa há interação entre os fatores período e nível de governança. Para os grupos básico/geral, Nível 2 e Novo Mercado, o risco não difere no período de crescimento e na crise; para o grupo Nível 2, o risco foi maior no período de crescimento do que no período de crise. No entanto, quando se compara os grupos entre si, vê-se que o risco na crise não difere entre os grupos (p=0,00387). Corporate Governance has become critical given the international scenario of major corporate scandals and particularly in Brazil due to the economic, political, and ethical crises. Among the relevant aspects that have changed the behavior of executives is the civil, and criminal liability due to possible fraud by senior management and the need to adopt corporate governance practices. The main objective of this study is to demonstrate through quantitative analysis and hypothesis testing whether the different levels of corporate governance defined by Bovespa/B3 (Level 1, Level 2 and Novo Mercado) has an effect on companies' performance from 2008 to 2018, considering both the growth and crisis periods in Brazil. Using the periods of crisis and growth as factors and the levels of governance (Level 1, Level 2 and Novo Mercado) as predictor variables, comparisons are made on return averages, risk (defined as the standard deviation of returns), and Sharpe index. Calculating the Sharpe index for joint risk and return analysis, interactions between the period and governance level factors are found (p <0.0001). The Sharpe index is lower in the basic/general group for the periods of crisis (- 2.68863) and growth (-2.41903) when compared to Ibovespa companies in the Level 1 group during crisis (-2.02341) and during growth (-2.08878), Level 2 group during crisis (-2.15101) and during growth (-2.01412) and Novo Mercado during crisis (-2.32664) and during growth (-2.02409), with a p <0.0001 for all these comparisons. In the comparison on returns there is no interaction (p = 0.13674). No significant statistical differences are identified for the Ibovespa return in relation to the governance level (p = 0.0534) and for the periods of growth and crisis (p = 0.63388). When comparing Ibovespa risk, there is interaction between the factors period and level of governance. For the basic/general group, Level 2 and Novo Mercado, the risk does not differ in the growth and crisis periods; for the Level 2 group, the risk is higher in the growth period than during the crisis period. However, when comparing the groups with each other, the risk during the crisis period does not differ between the groups (p = 0.00387).


