Governança e propensão à caridade: análises nível país e nível firma
Abstract
Este estudo investiga as relações entre Caridade e Governança em uma perspectiva multinível. A convergência entre esses dois campos de pesquisa se consolida na medida em que a governança se torna cada vez mais impulsionada por normas éticas e pela responsabilidade social corporativa, e as práticas filantrópicas se adaptam às exigências do mercado globalizado. Porém, a literatura acerca da propensão dos indivíduos a assumir comportamentos caridosos apresenta-se escassa e pouco conclusiva. Utilizando modelos de regressões em painel, com dados de seis bases diferentes e considerando um rol de 93 países, no período de 2010-2016, os principais resultados sugerem que a população de países que convivem com maiores níveis de corrupção, instabilidade política e violência, incluindo o terrorismo, é a mais propensa a ajudar estranhos, enquanto a doação de tempo voluntário é menos favorecida nos países cujo governo formula e implementa políticas e regulamentos de forma mais rígida, já as doações em dinheiro são mais frequentes em ambientes onde há percepção da qualidade dos serviços públicos e credibilidade no compromisso do governo com tais políticas. No nível organizacional, os modelos de regressão em painel, utilizam dados característicos do Board e o estimador diff-in-diff, com dados de 203 empresas listadas, no período 2003-2017. Os resultados apontam que o tamanho do conselho e a presença de outsiders influenciam positivamente a propensão da empresa à caridade. Enquanto a análise de eventos exógenos, utilizando o estimador diff-in-diff, assinalou que as empresas afetadas pelo furacão Ike tiveram menores taxas de doação durante o desastre. Espera-se que essas descobertas, relevantes em aspectos governamentais e corporativos, possam influenciar e auxiliar na solução de problemas sociais em todo o mundo. This study investigates the relationship between Charity and Governance in a multilevel perspective. The convergence between these two fields of research is consolidated as governance becomes increasingly driven by ethical norms and corporate social responsibility, and philanthropic practices adapt to the demands of the globalized market. However, the literature on the propensity of individuals to assume charitable behavior is scarce and inconclusive. Using panel regression models with data from six different bases and considering a roll of 93 countries in the period 2010-2016, the main results suggest that the population of countries that live with higher levels of corruption, political instability and violence, including terrorism, is most likely to help strangers, while giving voluntary time is less favored in countries whose government formulates and implements policies and regulations more rigidly, and donations in money are more frequent in environments where there is perceived quality of public services and credibility in government commitment to such policies. At the organizational level, the panel regression models, use characteristic Board data and the diff-in-diff estimator, with data from 203 listed companies, in the period 2003-2017. The results show that the size of the board and the presence of outsiders influence positively the propensity of the company to charity. While the analysis of exogenous events using the diff-in-diff estimator indicated that companies affected by Hurricane Ike had lower donations rates during the disaster. It is hoped that these findings, relevant in governmental and corporate aspects, can influence and assist in solving social problems around the world.


