Partidos coadjuvantes, porém grandes demais para serem ignorados
Abstract
Em contextos de fragmentação partidária, como o brasileiro, siglas como o PMDB abdicam do protagonismo e apoiam o governo no Legislativo para terem benefícios sem correr grandes riscos. Esse é o tema da pesquisa “Partidos coadjuvantes, porém grandes demais para serem ignorados”, que visa investigar o que faz um partido como o PMDB ser coadjuvante da coalizão de governo. Como metodologia, o estudo apresentou o desenvolvimento de um arcabouço teórico capaz de explicar a escolha de trajetórias de partidos políticos em presidencialismos multipartidários, a realização de survey com 123 especialistas em política latino-americana, além do desenvolvimento de medidas de tipificação de partidos e do grau de protagonismo no Executivo. Após análise dos dados, foi possível identificar uma correlação positiva forte entre fragmentação partidária e a ocorrência de partidos coadjuvantes de centro com presença forte no Legislativo na América Latina. O estudo também chegou à conclusão de que é mais barato e fácil gerenciar uma coalizão majoritária tendo um partido coadjuvante como aliado. Embora existam partidos políticos similares ao PMDB na região, não foi encontrado nenhum que atenda a todas as suas características. O partido atende a cinco características principais: distribuição nacional, grande presença no Congresso Nacional, indefinição ideológica, participação em quase todas as coalizões do Executivo ocupando uma posição pivotal, e não lançamento de candidatos à cabeça do Executivo nacional. Dessa forma, possivelmente – tema para pesquisa futura – a estrutura federativa brasileira tenha forte papel em desestimular o PMDB a lançar candidatos a presidente. A possibilidade de poder barganhar posições vantajosas na política local em troca de não lançar candidatos ao Executivo nacional deve ter papel importante nessa decisão do PMDB.

