Consumo no Brasil: teoria da renda permanente, formação de hábito e restrição à liquidez
Resumo
This article analyzes the behavior of aggregate consumption series in Brazil. As usual, the random walk hypothesis of consumption, derived theoretically from the life cycle/permanent income and rational expectations hypothesis (PIH), is tested. The Beveridge e Nelson (1981) decomposition indicates that the consumption series has a stochastic trend and a cyclical stationary component, incompatible with the PIH. This result is in line with Reis et alii (1998), who concluded that a large fraction of Brazilian people is credit constrained, which generates a common cycle between consumption and income. Following, we introduce habit formation in the preference of a representative consumer in order to attempt to produce a process of consumption compatible with the empirical evidence. However, such a process does not prove itself statistically significant amidst the possibility of credit constraint consumers. Este artigo analisa a série de consumo agregado do Brasil. Como usual, investiga-se, primeiramente, a aplicabilidade da hipótese do passeio aleatório do consumo, derivada teoricamente a partir das hipóteses de ciclo de vida/renda permanente e expectativas racionais (TRP). Utilizando a decomposição de Beveridge e Nelson (1981) verificamos que o consumo apresenta, além de uma tendência estocástica, uma parte cíclica estacionaria, o que não é compatível com a TRP. Este resultado está em conformidade com o resultado de Reis et alii (1998) de que grande parte da população brasileira está restrita a consumir sua renda corrente, existindo um ciclo comum entre consumo e renda. Em uma tentativa de gerar um processo estocástico para o consumo compatível com a evidência empírica introduzimos formação de hábito nas preferências de um consumidor representativo. No entanto, o processo daí derivado não se mostrou significativo diante da possibilidade dos consumidores serem restritos à liquidez.


